MOBI Cascais – Posição do Partido Socialista

O Partido Socialista regista, com agrado, a nova importância atribuída à mobilidade dos seus munícipes por parte do actual executivo autárquico de Cascais.

Não obstante tratar-se de um interesse algo tardio e notoriamente associado ao calendário eleitoral, são louváveis todas as iniciativas que possam traduzir-se em benefícios para a mobilidade dos Cascalenses, que viram nos últimos anos as suas opções deteriorar-se, quer no que concerne às deslocações dentro do concelho, quer nas deslocações pendulares de Cascais para concelhos limítrofes ou para Lisboa.

A este nível, não pode deixar de ser referida a incompreensível opção, tomada pelo executivo autárquico de Cascais, de se colocar à margem do processo em curso na Área Metropolitana de Lisboa, no qual aceitaram participar todos os restantes municípios e que tem como objectivo melhorar a coordenação dos transportes públicos a nível metropolitano, quer ao nível do planeamento da oferta (percursos, frequências, horários, etc.), quer ao nível da informação ao público e ainda ao nível da integração tarifária, permitindo aos munícipes deslocar-se de forma mais harmoniosa entre concelhos e com uma significativa redução dos respectivos custos.

Já existem centenas de títulos de transporte diferentes na Área Metropolitana de Lisboa e a Câmara Municipal de Cascais propõe-se criar mais alguns, com o seu próprio sistema paralelo, com os seus próprios cartões, não sendo claro que sejam interoperáveis com os já existentes, algo que não faz qualquer sentido quando já existe uma infraestrutura tecnológica de bilhética na Área Metropolitana de Lisboa.

Reacção do PS Cascais ao Mobi Cascais
Excerto de artigo no jornal Costa do Sol, dando conta da reacção do PS Cascais ao plano de mobilidade da autarquia

O Partido Socialista congratula-se, também, por verificar que o programa agora apresentado contempla soluções como o autocarro eléctrico, projecto apoiado por um Governo Socialista.

Outra declaração menos conseguida do actual autarca de Cascais prende-se com a ideia, lançada por Carlos Carreiras, do Governo ter que tomar uma decisão relativamente à requalificação da linha de Cascais. Tendo sido já amplamente divulgada a decisão, pelo actual Governo, de candidatar a requalificação da linha de Cascais ao “plano Juncker”, rejeitando de forma definitiva as ameaças de concessão a privados que foram lançadas durante a anterior governação PSD/CDS, pelo que não se compreende o desconhecimento, por parte do edil de Cascais, de uma decisão tão relevante para a mobilidade dos Cascalenses.

Ademais, o Partido Socialista regista, com sincero lamento, que Carlos Carreiras tenha, na mesma ocasião, assumido que o eventual processo de sanções a Portugal, decorrente do défice deixado pelo governo anterior, poderá inviabilizar a referida candidatura ao plano Juncker. Um lamento, em primeira instância, por verificar que Carlos Carreiras assume a plausibilidade da aplicação de sanções a Portugal, sem as combater, para além de achar que o Governo português deve nortear as suas decisões assumindo a sua aplicação, mas um lamento também por revelar que o actual presidente da câmara de Cascais desconhece que o plano Juncker é um mecanismo complementar, não sendo por isso líquido que o acesso a este mecanismo seja afectado por um eventual processo sancionatório.

Conforme referido, a colagem da apresentação deste programa ao calendário eleitoral acaba por ser evidente, servindo ainda para tentar desviar as atenções da recente polémica lançada pela proliferação inusitada de parquímetros em todo o concelho de Cascais.

No entanto, e apesar do actual executivo autárquico PSD-CDS ter optado por não envolver nenhum dos outros partidos com assento na Vereação ou na Assembleia Municipal no processo de elaboração desta iniciativa, o Partido Socialista reitera a sua total disponibilidade para colaborar na revisão deste programa, conferindo-lhe o rigor, a exequibilidade e a seriedade que, nesta fase, manifestamente não tem e que os Cascalenses merecem.

De resto, tal como está, parece-nos demasiado caro para a generalidade dos munícipes, não resolve nenhum problema de mobilidade actualmente identificado, o interior e a relação entre núcleos urbanos continuarão a degradar-se e a extensão dos parquímetros a novas zonas que até aqui serviam de alternativa irá culminar esta estratégia condenando-nos a todos efectivamente à adopção de novos hábitos que em nada promoverão o comércio ou as comunidades locais.


Comunicado de imprensa do PS Cascais disponível aqui.