"Cascais não é como Oeiras ou Sintra" – Daniel Romão

Cascais, infelizmente, não é como Oeiras ou Sintra.

Há quem ande por aí em guerra aberta contra aqueles que tentam exercer o seu trabalho da melhor maneira. Sem largar, como cães ferozes, vão eles tentando desvendar nomes de candidatos, vão eles desferindo golpes aqui e ali tentando fazer check ao rei e ao cavalo, ao bispo e à torre. Para esses é preciso fazer cada vez mais deste esquema, onde guerrilhar é mais do que governar.

Há quem se dedique muito a escrever, mas não sobre as soluções para Cascais. E quando há escritos sobre tal, ficam numa qualquer gaveta. Não é por isso difícil saber para onde vai, todos os anos, a parte do orçamento destinada a corrigir as dificuldades que muito infelizmente persistem. Deve haver armários e armários onde estão guardados os estudos sobre o mal que se consumará se não se aplicar aquelas devidas verbas.

Para mal das pessoas que cá vivem, Cascais nunca será como Oeiras ou Sintra.

As ruas nunca estarão nas condições dignas que mereciam. A juventude nunca será verdadeiramente incluída. Não haverá habitações jovens bem pensadas e bem integradas. Não haverá habitação para os muitos universitários que vêem de todo o país ou hostels acessíveis para acolher uma oferta que pode pouco, mas que em grande quantidade daria muito, esses vários milhões de turistas, muitas vezes jovens, podiam ter oportunidades de preço reduzido em Cascais, mas não terão.

Nem falar da ciência. Temos equipamentos. Acumulados de iniciativas anteriores e nunca destes governantes. Até extinguiram as agências ligadas ao mar e que transmitiam esse conhecimento à população. Lembro-me de quando a agência ligada ao mar existia ter feito um curso de abordagem inicial ao mergulho de exploração biótico, de ir ao parque natural explorar a fauna. Além disso, há escolas com equipamentos que poderiam dar mais. Não darão, lamentavelmente. Se seduzir professores e alunos com telescópios é promover ciência, não sei o que Oeiras anda a fazer com o ITQB e outros afins. Enfim, talvez alguém devesse aprender alguma coisa lá.

Em Cascais, nunca haverá nada disto. Nem nos transportes, como encenam agora estar a fazer algo. É ao teatro. É ao frete. Não farão nada, como não fizeram em 16 anos. Surfbus? E carrinhos novos? Ninguém os usa. É só para terem mais propaganda. Com a vantagem desta ser móvel. As novas bicicletas híbridas, são um começo. Ou talvez não. São, se calhar, mais fogo de artifício, mais fogo de artifício. Não há uma complementaridade com ciclovias por todo o concelho, ciclovias a sério, com outros instrumentos e equipamentos auxiliares à circulação, não há coisas tão simples como pedir e articular com a Scotturb os horários, não em falta, por vezes, simplesmente mal pensados, onde autocarros saem ao mesmo tempo para o mesmo sítio, deixando blocos de tempo de completa ausência de transporte. Não há conhecimento de causa. Pior, não há vontade de o produzir, de evoluir, crescer e ser melhor e fazer também melhor.

Estão focados noutras coisas. Mas para grande azar deles só haverá nome, quando tiver de haver, só haverá melhora quando eles estiverem obviamente fora de lá. Há quem não jogue assim tão baixo. Porque há quem esteja preocupado com coisas mais sérias. Em vez do big brother de Cascais que tanto querem, deviam estar mais preocupados com a seriedade que os cargos exigem.

A pergunta que fica, não é a do candidato, mas sim a de porquê que, em 16 anos, ainda existem pessoas sem saneamento básico em Cascais, a de porquê o problema dos AUGI e PER ainda existir com a dimensão que existe, e os restantes estarem transformados em redutos de desigualdades. A de porquê a mobilidade ser a triste irrealidade que é. A de não darem mostras de querer governar com vontade de servir o próximo, antes e primeiro que tudo de querem ser os donos disto, até de funcionárias de junta. Falta-vos vergonha. E não sei se é falta de vontade, será mais incapacidade, não de governar, mas de perceber o que é servir. Tenham dignidade. Não atirem areia para os olhos dos cascalenses. Há várias realidades em Cascais; lembrem-se que governam todas elas e, já agora, a realidade do candidato não governam. É pena, de certeza que seria um problema por resolver, como os muitos outros que em 16 anos não souberam tratar.

Cascais não pode ser como Oeiras ou Sintra, pelo menos enquanto eles por cá andarem. Falta pouco, felizmente.