"Linha de Cascais – Passado, Presente e Futuro" – Luís Miguel Reis

Passado

É por demais evidente que a Linha de Cascais se encontra necessitada de uma profunda intervenção. Os investimentos necessários têm sido sucessivamente adiados e colhem responsabilidades no espectro político quer à esquerda quer à direita. Contudo, por cá, o Presidente da CMC, ao fim de 15 anos da governação PSD/CDS, já aventou inúmeras soluções e o seu contrário num jogo de palavreado político ao “sabor do vento” procurando afirmar-se e emergir a qualquer custo como o grande defensor da Linha de Cascais.

Durante o Governo do PSD, encabeçado por Passos Coelho, do qual o Presidente de Câmara era Vice-Presidente, a solução apresentada passava pela privatização da Linha, recorrendo à inscrição no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI), criando uma nova parceria público-privada de facto, em que os privados com uma contribuição de 20% controlariam toda a operação.

Conforme o senhor Presidente da Câmara declarou à Revista Visão, em Dezembro de 2012, o que estava previsto pelo “seu” Governo era “que estas questões ferroviárias teriam que estar resolvidas até final de 2013”.

Porém, também esta solução – defendida com grande pompa e circunstância pelo Presidente da Câmara – nunca chegou a avançar porque o anterior Governo, do seu partido, não tentou obter os fundos comunitários necessários tendo comunicado em Julho de 2015 que “decidira não avançar, durante a sua legislatura, com a concessão a privados das linhas ferroviárias, em especial a linha que liga o Cais do Sodré a Cascais”.

 

Presente

Constatámos, num debate recente na Assembleia da República, através das palavras do Senhor Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, que “não ficou, no Portugal 2020, qualquer verba para a Linha de Cascais”, o que significa que o Governo anterior (PSD/CDS) não deu, contrariamente ao que procuraram ventilar, qualquer prioridade a esta matéria.

Já o atual Governo Socialista fez questão de inscrever a Linha de Cascais no Plano Ferrovia 2020, solicitando 126 milhões de euros para a modernização do sistema de sinalização e de eletrificação da linha, bem como para a modernização das estações, mantendo a propriedade e a gestão da Linha de Cascais na esfera pública, dando assim fortes sinais de que a modernização desta linha passou a ser prioritária.

 

Futuro

Garantir o futuro da Linha de Cascais, não passa exclusivamente pela sua recuperação, passa também por promover a utilização dos transportes públicos e essa concretização só se assegurará através de uma política de mobilidade sustentável no concelho de Cascais.

Ora essa sustentabilidade implica a adoção de medidas destinadas a garantir a acessibilidade e a mobilidade das pessoas em todo o concelho e não exclusivamente no litoral, assegurando a coesão geográfica, através de um operador de transporte público rodoviário que sirva efetivamente os interesses da população e por um justo equilíbrio entre o estacionamento tarifado e o parqueamento livre nas imediações dos nós modais, de modo a que as opções à disposição dos Cascalenses favoreçam de facto a promoção da utilização dos transportes públicos.

Creio ser este o caminho, mobilizemos esforços para o concretizar.


Artigo originalmente publicado na edição de 16 de Novembro do Jornal Costa do Sol.