"Que futuro para a Praça 5 de Outubro?" – Alexandra Domingos

Na última reunião de Assembleia Municipal foi aprovada a hasta pública de um conjunto de 26 imóveis do município, onde se inclui o contíguo ao Edifício do Relógio também conhecido por albergar a Residencial Parsi.

Edifício do Relógio, Praça 5 de Outubro, Cascais

Em 2011 o executivo municipal fez uso de uma faculdade legal que lhe assiste: o direito de preferência na compra deste edifício. À data a proposta foi aliás aprovada por unanimidade, tratando-se de um edifício histórico, inserido no contexto particular da vila e rodeado de um largo conjunto de serviços municipais.

O executivo justificava a aquisição do edifício por um lado para evitar uma possível operação imobiliária especulativa e pelo “reforço da estratégia de dinamização, regeneração e valorização da Baixa de Cascais”. Acrescentava ainda a Câmara Municipal que brevemente diversos serviços municipais iriam sair da Praça 5 de Outubro e iriam criar-se “novos pólos de alojamento, pólos de criatividade, de promoção turística do Concelho e indutores da atividade económica local”.

Esta era a estratégia correta. Hoje não conseguimos aceitar que um edifício com esta importância, que fazia parte de uma estratégia de regeneração e repovoamento da Baixa de Cascais, possa ser colocado em hasta pública.

Edifício do Relógio, Praça 5 de Outubro, Cascais

Aprovou-se em 2011 a compra do edifício, em 2012 a intenção de denúncia dos contratos de arrendamento existentes, porque razão apenas em 2015 surgiu a cessação dos contratos? Porque razão um edifício que em 2011 era estratégico e de reconhecido valor histórico deixa hoje de o ser para a colocar no mercado, sujeito a usos privados desconhecidos e que o poderão descontextualizar dos demais edifícios contíguos?

Estivemos de acordo, a regeneração da baixa de Cascais deveria ser uma prioridade, relançando a economia local e repovoando o território mais antigo com novos pólos e novos projetos. Hoje não podemos estar de acordo que se abandone essa visão e que se vendam consecutivamente os edifícios estratégicos e com um incalculável valor histórico.


Posição do Executivo da Câmara em 2012 – Site da Câmara.