Os técnicos informam, os políticos decidem

Os serviços municipais prestaram os esclarecimentos factuais e técnicos que lhes foram solicitados. Explicaram procedimentos, identificaram deliberações e apresentaram as interpretações seguidas pela Câmara.

O PS respeita o trabalho dos funcionários municipais. Não lhes cabe assumir as escolhas da maioria PSD/CDS nem responder politicamente pelas decisões tomadas pelos eleitos. Os técnicos informam; os políticos decidem.

É aos responsáveis políticos que compete explicar por que razão venderam património municipal nas condições conhecidas, alteraram entendimentos anteriores, aprovaram o projeto e abdicaram de receitas municipais.

As perguntas que a maioria tem de esclarecer

O Partido Socialista insiste nas questões que continuam em aberto:

  • Por que razão um terreno municipal foi vendido em 2020 por um valor fixado dez anos antes?
  • Por que não foi feita uma nova avaliação antes da escritura?
  • Por que mudou a interpretação da Câmara sobre a altura máxima permitida para o hotel?
  • Como foram considerados, para efeitos urbanísticos, terrenos situados do outro lado de uma rua?
  • Como foi integrada no negócio uma área utilizada como arruamento?
  • Por que foram ignoradas ou desvalorizadas as dúvidas relativas ao domínio público marítimo?
  • Por que abdicou o Município de cerca de 2,5 milhões de euros em compensações urbanísticas?
  • Que benefício concreto recebeu Cascais em troca dessa decisão?
  • Quem assumiu a responsabilidade política por cada uma destas opções?

Estas perguntas dizem respeito ao património de Cascais, ao ordenamento do território e a milhões de euros que pertencem aos cascalenses. Não podem ser afastadas com respostas genéricas ou ataques partidários.

PSD e CDS atacaram quem exigiu respostas

Confrontados com perguntas concretas, deputados do PSD e do CDS preferiram atacar o Partido Socialista, discutir procedimentos e desviar o debate das decisões políticas que continuam por explicar.

João Pinheiro da Silva, do CDS, chamou à oposição uma “geringonça dos zangados” e acusou os seus membros de fazerem “política baixa”. Gonçalo Lage, do PSD, procurou desviar o debate para antigos eleitos e insinuar responsabilidades do PS.

João Ruivo interveio em defesa da honra do Partido Socialista e recordou um facto essencial: nenhum vereador em representação do PS votou favoravelmente este projeto. Miguel Costa Matos reiterou que o PS nunca apoiou o projeto e lembrou que uma abstenção não é um voto favorável.

O debate tem de acontecer à vista dos cidadãos

PSD e CDS defenderam que o assunto deveria ser tratado numa comissão. O PS considera que um processo desta dimensão tem de ser discutido publicamente, numa Assembleia gravada e acessível aos cidadãos.

Numa sessão pública ficam registadas as perguntas, as respostas e também os silêncios. Os cascalenses podem ouvir diretamente o que cada eleito disse e verificar quem respondeu e quem desviou o assunto.

O trabalho em comissão pode continuar, mas não pode substituir a prestação pública de contas nem servir para retirar este caso do escrutínio dos cidadãos. A transparência não se pratica apenas quando é confortável para quem governa.

Garantias não substituem respostas concretas

Nuno Piteira Lopes afirmou que tudo foi feito de acordo com o PDM, os regulamentos, os pareceres técnicos e a boa-fé. Procurou também repartir responsabilidades por vários mandatos e recordar votações antigas.

Mas afirmar que tudo foi legal não é o mesmo que demonstrá-lo. Invocar os serviços municipais também não elimina a responsabilidade política de quem tomou e aprovou as decisões.

Continua por explicar por que motivo foi vendido património municipal por um preço estabelecido dez anos antes, sem uma avaliação atualizada, bem como as mudanças de entendimento, a integração de outras áreas no lote, as dúvidas sobre o domínio público marítimo e a decisão de abdicar de milhões de euros em compensações.

Quem governa tem de assumir responsabilidades

O PSD governa Cascais há décadas, em coligação com o CDS. Não pode apresentar-se como mero observador das decisões tomadas dentro da Câmara que dirige.

A responsabilidade política não pertence aos funcionários que instruíram os processos. Pertence a quem definiu a orientação, aprovou as propostas, votou as deliberações e decidiu que este negócio servia o interesse público.

PSD e CDS têm de explicar aos cascalenses por que razão consideram que as decisões tomadas protegeram o património municipal, respeitaram o território e salvaguardaram o interesse público. Não basta garantir; é preciso demonstrar.

Cascais merece respostas, não desculpas

O Partido Socialista respeitará a decisão da Justiça, mas a existência de uma ação judicial não suspende a fiscalização política nem impede os representantes municipais de exigirem explicações.

As 51 perguntas merecem respostas formais, completas e verificáveis. A maioria deve esclarecer a venda do terreno, a integração da rua, a aplicação do PDM, o domínio público marítimo e as compensações urbanísticas de que o Município abdicou.

Cascais merece conhecer toda a verdade sobre o processo Hilton. O Partido Socialista continuará a exigir transparência, documentação e responsabilidades políticas.